Em 2020 Ribeirão Preto registrou 1.696 internações de pacientes com algum tipo de neoplasia maligna, que pode ter relação com o hábito de fumar; taxa de mortalidade é de 10,67% segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde
As pessoas que possuem o hábito de fumar estão mais suscetíveis a desenvolver até 15 tipos diferentes de câncer em decorrência dos danos causados pelo uso do tabaco. Visando alertar sobre as doenças e mortes relacionadas ao tabagismo, a Organização Mundial da Saúde instituiu o dia 31 de maio como Dia Mundial Sem Tabaco.
De acordo com os dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer), o tabagismo é uma doença que contribui para o desenvolvimento de vários tipos de câncer que vão muito além do de pulmão, mais comumente associado ao hábito. Entre os tipos estão leucemia mieloide aguda, bexiga, pâncreas, fígado, colo do útero, esôfago, rim e ureter, laringe (cordas vocais), cavidade oral (boca), faringe (pescoço), estômago, de cólon e reto, traqueia e brônquios.
“Estudos apontam que cerca de 90% dos casos de câncer de pulmão, por exemplo, tem o cigarro como principal fator e outros 10% são decorrentes do fumo passivo. Além disso, os fumantes possuem um maior risco de adquirir infecções pois o tabaco causa diferentes tipos de inflação nos mecanismos de defesa do corpo e do próprio pulmão”, explica Carlos Fruet, oncologista do InORP Oncoclínicas.
O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina e considerado a maior causa evitável isolada de adoecimento e mortes precoces em todo o mundo. Ele também está associado às outras enfermidades como tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose, catarata, entre outras.
“Infelizmente, a maioria dos casos de Câncer de Pulmão são diagnosticados em fase avançada, em que a chance de cura é muito pequena. Quando descoberto em fases inicias, a cirurgia pode levar a cura, porém quando em fase avançada o tratamento com quimioterapia, imunoterapia ou drogas alvos moleculares são na maioria das vezes paliativo, ou seja, objetivando aumentar o tempo de vida e controle dos sintomas”, afirma Dr. Carlos.
O oncologista reforça também a importância de não fumar e da realização de exames por aqueles pacientes que não possuem mais o hábito. “Após 15 anos sem fumar, o risco de Câncer de Pulmão é o mesmo das pessoas que nunca fumaram, ou seja, devemos sempre incentivar a cessação do tabagismo independente da quantidade e do tempo que a pessoa já fumou. Lembro também que pessoas que fumam ou fumaram o equivalente a 1 maço por dia por 20 anos, devem realizar um exame chamado Tomografia de Tórax com Baixas doses de radiação, a fim de investigar possíveis alterações pulmonares que podem vir a tornar um câncer”.
Cenário
O Programa de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas não Transmissíveis, da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto, com base no Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), em 2020, registrou 1.696 internações de pacientes com algum tipo de neoplasia maligna, que pode ter relação com o hábito de fumar, resultando em uma taxa de mortalidade de 10,67%.
O programa não dispõe de dados sobre o número de fumantes em Ribeirão Preto, mas com base na última Pesquisa Nacional de Saúde, realizada em 2019, informa que na região sudeste a estimativa é que 13,5% da população seja fumante, sendo que o número chega a 16,2% entre os homens e cai para 9,8% entre as mulheres.
